Santos se tornará SAF após proposta bilionária da Colômbia somente quando mudar o estatuto; veja o que falta
- 16/01/2026
O Santos vive um dos momentos mais delicados e decisivos de sua história fora de campo. Mesmo com uma proposta bilionária sobre a mesa, o clube ainda não pode avançar para virar SAF por conta de uma trava estatutária que limita a venda a apenas 49% das ações. Esse detalhe, que parece pequeno, hoje é o principal obstáculo para qualquer acordo.
Segundo informações publicadas pela revista Veja, investidores interessados no controle do futebol santista esbarram exatamente nessa regra. Nenhum grupo aceita aportar cifras tão altas sem ter o comando majoritário da operação. Internamente, o tema já é tratado como inevitável, mas envolve debates políticos, jurídicos e administrativos complexos.
O clube, inclusive, já iniciou discussões para alterar o Estatuto. No entanto, o processo é longo e exige aprovação do Conselho Deliberativo e dos associados. A diretoria entende que não é possível acelerar tudo sem segurança jurídica, sob risco de judicialização e desgaste institucional.
Proposta bilionária e bastidores do interesse estrangeiro
A oferta mais concreta até agora veio da família Santo Domingo, uma das mais ricas da Colômbia. O grupo, ligado ao conglomerado Valorem e acionista da AB InBev, apresentou uma proposta entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão pelo controle da SAF santista, além da disposição para assumir integralmente as dívidas do clube.

Somando aporte e passivo, a operação poderia levar o valor de mercado do Santos para além dos R$ 2 bilhões. A proposta, porém, é não vinculante e depende diretamente da mudança estatutária. Sem a liberação para venda majoritária, o negócio simplesmente não anda.
Desde maio de 2025, o Santos conta com a XP Investimentos para estruturar o processo, mapear investidores e avaliar o clube. A chegada dessa proposta é vista internamente como um divisor de águas, mas também como um teste de maturidade política da instituição.
Estatuto, história e próximos passos
O presidente Marcelo Teixeira sabe que terá de conduzir o debate com cautela. A proposta prevê cláusulas rígidas de preservação da identidade do clube, vetando mudança de nome, escudo, cores, hino e até localidade. Ainda assim, qualquer avanço depende de voto interno.
A expectativa é que o Santos apresente uma proposta de alteração estatutária específica para SAF, sem mexer em outros pontos do Estatuto. Só após essa aprovação é que o clube poderá transformar a oferta em vinculante e destrinchar detalhes como aportes anuais e modelo de gestão.
Enquanto isso, o Peixe segue no limbo: desejado pelo mercado, valorizado pela história e pela marca, mas travado por regras antigas. A decisão final passa menos pelo dinheiro e mais pela coragem política de mudar o rumo do clube.







